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A autoridade política não se herda mais. Se constrói todos os dias.

  • Foto do escritor: João Paulo Borges
    João Paulo Borges
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Desde a última eleição, a forma de construir autoridade política mudou de maneira profunda e definitiva.



Durante décadas, autoridade era sinônimo de cargo, tempo de TV, estrutura partidária e presença em palanques. Quem ocupava posições formais era “autoridade”. Hoje, isso não basta. A autoridade política deixou de ser vertical, hierárquica e distante para se tornar horizontal, relacional, conversacional e permanentemente testada.


Ela não é mais imposta. É construída: conversa a conversa, decisão a decisão.


O modelo antigo se sustentava na lógica do “parecer importante”. O atual exige algo mais difícil: ser relevante. As redes sociais deslocaram o centro da política. Trends, reels, stories, comunidades e grupos ocuparam o espaço que antes pertencia aos comícios e aos programas eleitorais tradicionais. Mas presença digital, por si só, também não constrói autoridade. O que constrói é narrativa coerente, prestação de serviço e capacidade real de escuta.


Autoridade hoje nasce da combinação entre reputação e utilidade. O eleitor observa, compara e testa. Quem fala uma coisa hoje e age diferente amanhã perde algo precioso: credibilidade. Que na minha visão, com mais de 10 anos de Marketing Político, é o mais importante.


E aqui entra um ponto central: improviso não é espontaneidade. Improviso, em eleição, costuma ser apenas outro nome para despreparo. Cada frase dita vira registro. Cada erro não desaparece, ele se soma. Quem improvisa passa a campanha apagando incêndios, enquanto quem se prepara constrói liderança e proximidae. E o eleitor percebe.


O que os dados já mostram


Essa transformação não é apenas percepção. Ela já aparece de forma clara nos dados.


Um estudo do Grupo de Pesquisa em Comunicação Política (COMP), da PUC-Rio, mostrou que nas eleições de 2022 o desempenho de candidatos no Instagram foi capaz de antecipar o resultado das urnas com até 92,7% de precisão. Em 74% dos estados brasileiros, houve correlação direta entre engajamento nas redes sociais e o número de votos recebidos pelos candidatos eleitos.


A pesquisa analisou as 513 campanhas vitoriosas para deputado federal, cruzando dados do TSE com métricas de Facebook e Instagram monitoradas via CrowdTangle. O resultado foi claro: em mais da metade dos estados, campanhas mais engajadas também foram as mais eficientes financeiramente.


Ou seja: autoridade digital bem construída reduz custo político.



O que muda, de fato, para 2026


A leitura para 2026 é direta: as redes sociais não substituem completamente as formas tradicionais de campanha, mas alteram a hierarquia da estratégia. O centro da construção de autoridade passa a ser o relacionamento contínuo, não o pico eleitoral.


Além disso, novas fronteiras se consolidam. TikTok, inteligência artificial, comunidades no WhatsApp, publicidade segmentada e análise de dados ganham peso. Mas tecnologia sem estratégia gera ruído, não liderança. O diferencial não está em estar em todas as plataformas, mas em saber o que dizer, quando dizer e para quem dizer.


Autoridade política hoje exige método. Exige planejamento. Exige leitura de contexto.

E, sobretudo, exige coerência entre discurso, prática e presença digital.


Um convite à reflexão (e à prática)


Tenho acompanhado essa transformação de perto, atuando desde 2020 em projetos de marketing político, mobilização digital e construção de relacionamento com lideranças estratégicas, em diferentes contextos eleitorais e institucionais.


Minha experiência mostra que autoridade não nasce no ano da eleição, ela é construída antes, com método, planejamento e escolhas bem feitas. É por isso que sigo defendendo que pré-campanha não é aquecimento, é estratégia.


Se você é liderança política, assessora mandatos ou atua na comunicação eleitoral e quer entender como estruturar sua presença digital, organizar sua estratégia e construir autoridade de forma consistente até 2026, esse é um debate que vale ser aprofundado agora e não quando o relógio estiver contra você.


Porque, no fim, quem lidera bem na campanha é quem começou a se preparar muito antes dela.



 
 
 

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