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A partir de 7 de setembro, o verdadeiro dono da sua campanha assume o posto: a eleição agora é do eleitor

há 3 dias
4 min de leitura

Até aqui, é possível dizer que a eleição ainda não entrou de verdade na rotina da maior parte da população. Quem trabalha diariamente com política já está mergulhado nesse universo há meses, acompanhando pesquisas, calendário, agendas e movimentações. Para o cidadão comum, porém, a realidade é outra. Trabalho, família, contas e todos os outros assuntos da vida continuam ocupando a maior parte da atenção. É justamente por isso que o 7 de setembro é tratado no marketing político como um marco importante: a partir dessa data, com a proximidade maior do processo eleitoral, a tendência é que a população comece a prestar mais atenção na eleição e nos candidatos.


Os números ajudam a dimensionar esse cenário. A terceira rodada da pesquisa DATATEMPO em Minas Gerais, divulgada no fim de agosto, mostrou que 73,3% dos eleitores não souberam indicar espontaneamente em quem pretendem votar para deputado estadual e 68,9% ainda não sabem apontar um nome para deputado federal. A pesquisa foi realizada entre 17 e 20 de agosto, com 1.000 entrevistas, e considera respostas espontâneas, sem apresentar uma lista de candidatos. Não é difícil imaginar que, para boa parte do eleitorado, a eleição ainda esteja distante demais para ocupar espaço relevante na cabeça.


É justamente nesse momento que a comunicação das campanhas ganha uma oportunidade importante. O problema é que muitas delas interpretam esse aumento de atenção como um sinal para simplesmente aumentar o volume: mais posts, mais vídeos, mais anúncios e mais mensagens no WhatsApp. Só que chamar a atenção de alguém não significa conquistar sua confiança. O eleitor que começa a perceber a eleição ainda precisa entender o que está em jogo, conhecer melhor os candidatos e encontrar motivos para considerar aquela candidatura. Colocar mais conteúdo diante dele não necessariamente acelera esse processo.


Existe uma jornada até a decisão


A comunicação eleitoral precisa acompanhar essa jornada. Primeiro, é necessário sensibilizar o eleitor, apresentando temas, problemas e questões que tenham relação com a sua realidade. Depois, vem a motivação: é quando a pessoa começa a conhecer melhor a história, as ideias, as propostas e o posicionamento de uma candidatura e encontra razões para acompanhá-la. A mobilização aparece como consequência desse relacionamento, quando o eleitor está disposto a participar, compartilhar uma mensagem, conversar com outras pessoas, comparecer a uma atividade ou, finalmente, votar.


Essas etapas não acontecem de maneira perfeitamente organizada e nem precisam acontecer separadamente. Uma boa campanha trabalha as três ao mesmo tempo, adaptando a comunicação aos diferentes públicos e aos diferentes momentos da disputa. O que não funciona é tratar todo eleitor como se estivesse no mesmo estágio de relacionamento com a candidatura e acreditar que o simples pedido de voto será suficiente para levá-lo à urna.


O que fazer na reta final?


Com o eleitor começando a prestar mais atenção, eu vejo três movimentos importantes para as campanhas. O primeiro é cuidar de quem já está próximo. Uma base construída ao longo dos meses precisa estar bem informada, organizada e preparada para participar, porque essas pessoas podem se tornar multiplicadoras da mensagem. O segundo é aproximar quem está chegando agora, oferecendo conteúdo relevante e canais onde seja possível tirar dúvidas, acompanhar o candidato e estabelecer uma relação mais próxima. O terceiro é preparar a mobilização, entendendo quem está disposto a participar, quais ações fazem sentido e como cada grupo pode contribuir.


É nesse ponto que canais de relacionamento como o WhatsApp podem ganhar ainda mais importância. Diferentemente de uma comunicação que depende apenas do alcance no feed, os canais diretos permitem criar conversas, ouvir as pessoas e organizar uma base que já demonstrou algum nível de interesse. Mas o aplicativo, sozinho, não resolve nada. Sem estratégia, organização e conteúdo adequado, ele apenas aumenta o volume de mensagens que chegam ao eleitor.


A reta final não conserta uma relação que não foi construída


Existe uma ansiedade natural quando a eleição entra na reta final. O relógio está correndo, os concorrentes estão se movimentando e cada dia parece decisivo. Só que nenhuma ferramenta consegue criar em poucos dias uma relação que não foi construída anteriormente. Nos últimos dias, a campanha pode intensificar a comunicação, organizar sua base e transformar relacionamento em mobilização. O que ela não consegue fazer é fabricar confiança de uma hora para outra.


Por isso, mais importante do que contar quantos conteúdos ainda serão publicados até o dia da eleição é entender quantas pessoas realmente conhecem a candidatura, acompanham o seu trabalho, confiam nela e estão dispostas a levar essa mensagem adiante. Esse é um dos grandes desafios da comunicação política a partir de agora: transformar a atenção que começa a chegar em relacionamento e, a partir dele, em mobilização.


A partir de 7 de setembro, a eleição começa a ocupar mais espaço na cabeça do eleitor. A pergunta é: quando ele olhar para a disputa, o que vai encontrar da sua candidatura?


Pedir voto pode levar alguns segundos. Construir uma relação que faça alguém querer votar e ainda levar essa mensagem para outras pessoas exige muito mais tempo e estratégia.



 
 
 

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