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Três eleições do Quinto Constitucional e um aprendizado: mobilização organizada vence eleição



Nos últimos anos participei de três campanhas relevantes no processo do Quinto Constitucional da OAB em Santa Catarina. Foram disputas diferentes entre si, com candidatos, contextos e tempos de campanha distintos. Ainda assim, existe um aprendizado que se repetiu nas três experiências: em eleições de classe, mobilização organizada faz uma diferença enorme no resultado.


Minha primeira participação aconteceu em 2021, quando surgiu o convite para trabalhar na campanha do advogado João de Nadal. Naquele momento ele ainda não havia avançado até a etapa final do processo por questões legais, mas foi justamente nesse período que começamos a construir uma conexão de trabalho e, principalmente, a estruturar um relacionamento com a classe. Esse tempo anterior à eleição acabou sendo um dos fatores mais importantes para o resultado que viria depois.


Quando o processo eleitoral de fato ocorreu em 2022, já existia uma base de relacionamento construída com advogados de todo o estado de Santa Catarina. Era um trabalho gradual, feito com cautela, respeitando o próprio ritmo que o WhatsApp exige para evitar bloqueios e para que a comunicação não pareça invasiva. Em eleições de classe, esse cuidado é fundamental. Não se trata de disparar mensagens, mas de criar presença, diálogo e conexão com quem vai literalmente decidir o voto.


Depois dessa experiência surgiu a oportunidade de participar da campanha da advogada Fernanda Sell. O cenário foi diferente. Tivemos menos tempo para estruturar a mobilização e enfrentamos alguns desafios operacionais na estrutura de WhatsApp, algo que hoje muitos profissionais de comunicação digital já reconhecem como uma dificuldade real, especialmente quando o trabalho precisa começar próximo da eleição.


Mesmo com essas limitações, o trabalho de mobilização digital teve impacto importante no resultado. A candidatura terminou como a mais votada da classe, com uma participação expressiva dos advogados no processo eleitoral. Esse foi mais um exemplo de como, mesmo em cenários mais desafiadores, a organização da mobilização e a construção de canais de relacionamento fazem diferença quando chega o momento da votação.


A terceira experiência foi talvez a mais desafiadora em termos de tempo. Na eleição mais recente participei da campanha do advogado Márcio Vicari, em 2025, e entrei no processo faltando cerca de dois meses para o dia da votação. Quando o tempo é curto, a estratégia precisa necessariamente ser diferente.


Nesse caso, além da estrutura tradicional de mobilização digital, incentivamos algo que considero cada vez mais importante: o uso ativo do WhatsApp pessoal do candidato e de lideranças apoiadoras. Quando apoiadores passam a mobilizar suas próprias redes de contato, a campanha ganha capilaridade. A mensagem deixa de circular apenas por um canal central e passa a se espalhar por diversas redes de confiança, o que fortalece muito o processo de convencimento.


O resultado dessa eleição mostrou o peso desse tipo de mobilização. Márcio Vicari terminou como o mais votado da classe, com quase 3.500 votos e uma vantagem superior a mil votos em relação ao segundo colocado. Foi uma votação histórica em um processo que contou com a participação de quase 20 mil advogados e advogadas de todo o estado, resultado do trabalho em conjunto com a colega jornalista Aline Cabral Vaz.


Em campanhas desse tipo, o WhatsApp também funciona como um verdadeiro termômetro político. É ali que surgem manifestações espontâneas de apoio, mensagens de lideranças regionais, dúvidas da classe e sinais claros de como a candidatura está sendo percebida. Quem acompanha esse fluxo de conversas consegue ter uma leitura bastante precisa do ambiente da campanha.


Ao longo dessas três experiências procurei trabalhar principalmente com quatro funcionalidades do WhatsApp dentro da estratégia de mobilização: grupos, listas de transmissão, Status e, mais recentemente, comunidades. Cada uma dessas ferramentas cumpre um papel diferente dentro do processo. Grupos ajudam a organizar lideranças e apoiadores, Status ampliam visibilidade dentro da rede de contatos e listas de transmissão permitem manter comunicação direta com segmentos específicos da classe.


Ainda assim, nenhuma ferramenta substitui o elemento central desse tipo de campanha: relacionamento. Eleições de classe não são disputas de alcance, como muitas campanhas políticas tradicionais acabam se tornando. São disputas de mobilização. Não vence quem aparece mais, mas quem consegue organizar melhor lideranças regionais, construir confiança e ativar redes de apoio no momento decisivo.


Outro fator que sempre pesa muito nesse processo é a trajetória profissional do candidato. A classe observa isso com atenção. A comunicação digital pode ampliar reputação e ajudar a apresentar melhor uma candidatura, mas dificilmente consegue substituir a construção de credibilidade ao longo da carreira. Em disputas como essa, reputação continua sendo o ponto de partida.


Depois de participar desses três processos, a conclusão que tiro é relativamente simples. Em eleições de classe, mobilização organizada vale muito mais do que campanhas improvisadas. Quem começa cedo constrói relacionamento com a classe, quem constrói relacionamento organiza apoio e quem consegue organizar apoio chega no dia da votação com uma vantagem real.

 
 
 

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